Posts de Setembro, 2006

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Acidez?

20 Setembro, 2006

Sou intrigada com os vieses que levam o ser humano a adotar um script essencial de vida. Ninguém é uma rota só ao longo da vida mas claramente cada um configura seu percurso com ênfase maior numa determinada abordagem existencial. A abordagem da acidez é talvez a que mais me dificulta o interlóquio. Fico presa naquela missão vã de mostrar o outro lado, que é tudo que o sujeito ácido precisa para racalcar a amargura do existir e descarregar seu aceto sobre a doce esperança da vida boa. A vida humana é mesmo complexa e no meu critério de justiça a humanidade merecia ser poupada de uma série de vivências dolorosas e injustificáveis ao reles mortal. Olho deste prisma solidário e constato ao mesmo tempo que não conheço sequer uma criatura adulta neste planeta que não se tenha deparado com experiências pessoais dignas de perplexidade e de se perguntar: por quê eu? Dito isto, volto à questão original e fico pensando que nas horas sem cabimento projeto um filminho interno que varia sobre temas recorrentes: sorriso de criança, um abraço caloroso, colo de mãe, cabelo sendo penteado, sensação do balanço ao vento, fumaça de um café fresquinho, mergulho no mar, Chet Baker, beleza, irmão, sexo bom, amigos dando gargalhada, vozes em coro,  tudo que representa a força da vida, inclusive a capacidade de transformação de um script, e que para mim é tão maior que o resto. No final, nos resta o livre arbítrio.                                      

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Sintonia

6 Setembro, 2006

Escrevi o poema abaixo num dia frio e chuvoso como hoje, em 1999. Tem coisa cuja autorização para publicação demora…

SINTONIA

 

Sonho adentro,

Paixão aflora.

No caminho que percorrem de mãos dadas

O medo e o desejo

Sob a estrela de azul mais turquesa

Na bruma do açude das fadas

Acima da última nuvem

Do último anjo do infinito

Na curva mais alta da estrada

Mora teu beijo.

 

Para ter com ele

Enredo lírios nas tranças,

Benzo meu colo com a mais doce fragrância

Unto meus lábios

Com nêsperas cozidas ao mel

E vou, meu vestido de desejo

Esvoaçando por tal rumo inédito

Enquanto um chuvisco miúdo

Borda de cristais meu véu.

Um pardal afinado aponta no céu

E quebra o silêncio do ocaso

Entoando as pistas que faltam

No meu mapa.

 

Chego.

 

E tudo o que antes havia

Muda de nome

Nada mais é grande

Diante da imensidão deste encontro

Sintonia que colhe o melhor de mim

E semeia no teu canto

Idéia que flutua no meu dia

Feito ar de inspiração

 

Teu beijo para sempre

Teu beijo diariamente

Teu beijo imediatamente

Todos os gomos do meu leque

Cada paetê do meu brilho

Marca d’àgua do meu estilo

 

Linha e entrelinha do meu estribilho