
Rio das Velhas (nada pessoal...)
A impermanência do rio resume seus milagres, e nesta canção do compositor argentino Carlos Aguirre a escolha do adjetivo “pasarero”, que nem sei se existe formalmente no léxico castelhano, sugere que o fato do rio fluir ininterruptamente seja uma de suas travessuras - e é. Assim como é travessura da vida que tudo passe: paixões, rancores, doença, guerras, bonanças, estações, saudade, certezas. A vida passa como passa um rio, marcando sulcos, buscando espaço, inundando reservas, abrindo braços. O rio, como a vida, passa sempre com solenidade e trilha sonora. O rio ao fluir apresenta claramente sua proposta de não-resistência. A vida, às vezes, não tão claramente. Me entregaria agora de corpo e alma à correnteza de um rio para ver onde daria.




