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São Francisco de Assis

4 outubro, 2017

4 de Outubro, dia de Francisco de Assis. Lembrança importante de meu pai que não era um homem de fé embora desejasse ser, apreciava particularmente a simplicidade e a bondade deste santo e entoava emocionado, em sua referência vocal impostada, a Oração de São Francisco, a qual o orientava dentro dos limites de sua humanidade.

Além da lembrança amorosa do meu coroa que se foi recentemente, lembro-me hoje também das diversas criaturas que encantaram minha infância: aves variadas, cães, coelhos, tartarugas. Pura alegria e inocência. Universo afetivo que me leva à memória da belíssima gravação que Ney Matogrosso fez, acompanhado de um coro infantil e outro adulto no disco “A Arca de Noé”, numa homenagem do Vinicius a São Francisco. Pensando bem, lá se vão quase quarenta anos desde o lançamento daquele disco,  nossa sociedade com pontos de vista tão parecidos ou piores sobre questões de gênero, religião, nudez, o Ney reinando desde sempre, moderno e implacável na sua verdade, e naquele caso, entoando a única canção “sacra” do disco… um feito e tanto!

 

 

Lembro também do lindo dálmata Bingo que loucamente incluí por um curto período no apartamento da infância de meu filho Pedro, depois de engambelações infrutíferas como peixinhos de aquário e outros entrepostos. Lá se foi a infância do Pedro, que no auge dos seus catorze anos me sacode com seu entra-e-sai trocando mochilas entre sua agenda saudavelmente ocupada, sua namorada e outros programas típicos. Pedro ainda me pede um cachorrinho e eu que já adoro cães tremo na base, pensando no afeto a mais que se instalaria de imediato na casa, e nas memórias específicas que ele teria dessa experiência… imediatamente calculo que todos os cuidados sobrariam pra mim… ainda não tomei coragem, confesso.

Hoje, em modo de oração, agradeço por todas as experiências muito simples que tive a graça de experimentar nessa vida, e rogo por um entendimento cada vez maior sobre a simplicidade e sua perfeição. Amém.

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Faixa “Disseram” do CD Bons Ventos

27 junho, 2017

“Disseram”: quando a gente tá apaixonado, se desentende e daí fica ao mesmo tempo com medo e com tesão de re-encontrar e matar a saudade! Quem nunca? A força do desejo suspenso dá vontade de sair dançando na chuva, cantando alto, podemos qualquer coisa com tal promessa ao alcance …

Você finge que não quer tocar no assunto mas a mera menção do nome do ser amado ergue as sobrancelhas da sua alma 😊 Você dá por encerradas as conjecturas sobre o atual status de relacionamento do seu amor, mas seu coração se nega a obedecer e mantém a vigília! Vocês se afastam, mas saem deixando pistas mútuas pelo ar fragrante da saudade…

Canção feliz da incomparável Andrea Dutra, no arranjo e contrabaixo elétrico de Alex Rocha, piano, vocoder e Wurlitzer do Bruno Alves, bateria e percussão do Jurim Moreira. Let´s dance!

https://www.youtube.com/watch?v=4OABKKPhDzM

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Bons Ventos – A Canção

20 junho, 2017

“Faltou pano?”- era o máximo da repreensão que meu avô paterno, vovô Fernando, conseguia dirigir a suas netas quando achava o comprimento das saias curto 😊 Ele gostava também da expressão “calça de veludo ou bumbum de fora” para citar os extremos…  Meu avô era uma figura plácida, paciente e doce. Não me lembro dele alterado por nada. Sei que ele é parte da minha inspiração, um muso,  na letra dessa canção “Bons Ventos”, que nomeia e abre o repertório deste novo CD.

Entendo o roteiro do CD como uma saga amorosa, estórias/histórias do amor e suas nuances. “Bons Ventos” inaugura a saga como uma celebração ao amor próprio, a estar em paz consigo próprio, à aceitação de sermos paradoxais e vermos perfeição nisto.

Quanto à música, feita alguns anos depois da letra, “ouvi” o Nordeste pedindo o espaço desta história, assenti e convidei esse trio “bafônico” formado por Alex Rocha (Arranjos, direção e contrabaixo acústico nesta faixa), Itamar Assiere (piano) e Jurim Moreira (bateria e percussão) para criarem a sonoridade do disco e dos “ventos da bem aventurança” junto comigo

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A fábula da praga de estrela na hortelã

31 maio, 2017

hortelã com praga de estrela

É fofo ter hortelã numa pseudo-horta num vaso de varanda do apartamento super urbano, pairando sobre uma das ruas mais agitadas da cidade… Toda vez que vou lá colher folhinhas para um suco ou um tempero, momentaneamente me torno uma mulher simples, do campo, do lar, com tempo para contemplar o plantio, os animais fazendo seus barulhos ou bestando, o tempo mudando, as crianças correndo na pradaria, o pomar cheio de promessas, meu amor tocando ao ar livre…

Por TUDO isso venho investindo em encontrar para este vaso de hortelã o melhor sol, o bom vento, adubo regular, poda e outros quetais.  Este já deve ser o quarto ou quinto vaso do processo.

Há um mês fiz uma poda radical cortando todas as folhas e deixando só os galhos,  na tentativa de dizimar uma praga branquinha voadora, que deixa no caule da planta uma teia branca vaporosa tipo um algodão doce, que vai escurecendo e sufocando a planta toda, e que resistiu inclusive a remédios fortes anti-praga!

Quinze dias depois, para minha felicidade e redenção, a hortelã amanheceu toda brotadinha, verdíssima, fresca, renovando as esperanças de recuperação!

Hoje, porém, amanheceu com esta nova praga em forma de estrela, que dizem os entendidos ser típica de hortinhas, que tem até nome e forma encantadoras (ver foto), como a maioria das “pragas” que vemos por aí, que ludibriam nossos sentidos e convicções, porém aniquilam rapidamente a vida!

Reflito: pulei alguma etapa crítica nesta recuperação? Onde foi que fui “passada pra trás” neste encaminhamento que ia me trazendo felicidade e subitamente me frustrou? Se é assim nesta micro-experiência, como seria tudo para tantas vidas interiores e ao meu redor?

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Consciência

27 março, 2017

O universo e seus mistérios. Há leis formuladas. Há hipóteses. Há escuridão. Há leis ainda não formuladas. Há minhas observações.

O mundo em caos. Sou parte dele, estou em caos, sou co-responsável, submetida, preciso pensar e oferece o melhor em busca de mais harmonia;

Minorias e suas dores profundas que jamais alcançarei. Preciso abrir os olhos, ouvir, ceder a transformações nessa hora, escolher a cada momento ferramentas acessíveis e colaborar, enquanto aprimoro novas ferramentas;

Amigos e seus dramas humanos. Dou meu colo, não quero julgar, só amar, a ferro e fogo exercito a verdade, penso na melhor forma de chegar.

Família e círculos íntimos. Me comovo, quero adiantar aprendizados… quero evitar sofrimento…  posso apenas compartilhar e amar.

Meu coração, meu espírito e meu corpo querem o êxtase, a completude, a perfeição que merecem.  Erro amorosamente, caminho com esperança, defendo minha serenidade como posso, invisto em mais alegria como canal de luz. Canto.

espírito livre

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Encontro

15 fevereiro, 2017

Ele a ama profundamente, sente-se, sabe-se, ele diz e demonstra. Ela o ama profundamente, idem. Passam anos e tem fissura um pelo outro. No cotidiano não encontram harmonia.

Ele a deseja,  facilita as coisas, honestamente não pode lhe oferecer algo sobre o que não tem convicções. Ela não sintoniza.

Se amam sim, mas pelo que viveram antes.

Ela o deseja e imagina como seria com ele, um amor puro. Ele está realizado com sua família, quase em outro planeta.

Ele a deseja e talvez poderia amá-la, ela gostaria de ser sua amiga.

Há um desejo mas já foram amores de amigos queridos.

Há um desejo.

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Amores Duradouros

10 outubro, 2016

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Amores duradouros têm nuances. É um exercício artesanal e trabalhoso absorvê-las, acima dos egos, das diferenças, das impaciências, dos ódios e outras humanidades. Nas ondulações do amor, na contrariedade, você olha pra você mesmo e sua pequenez diante das possibilidades amplas do mundo. O silêncio, a aceitação e o desejo da construção parecem ser instrumentos importantes neste processo. Transpor uma nova curva na história de um amor é das coisas mais realistas e gratificantes da vida. Respeitemos.